Um engano chamado light, a nutricionista explica porquê

Um engano chamado light, a nutricionista explica porquê

Levamos duas gamas de batata frita à análise da nutricionista Cláudia Viegas. As ditas “normais” e a versão light das mesmas. O resultado surpreende, entre umas e outras as diferenças esbatem-se. Contas feitas, os “benefícios” do light são mera cosmética. Isto, não obstante, as batatas light estarem conforme a lei.

Atualmente, a alimentação é, sem dúvida, um dos fatores que mais preocupa a população, o que inclui a gama de produtos alimentares que “cuidam” de nós, quer no que toca à alimentação dita saudável, quer no que respeita aos alimentos inseridos em regimes de perda de peso. Nos lineares assistimos a uma crescente oferta por parte da indústria de uma grande variedade de produtos com uma imagem ou características de “mais saudável”.

Na realidade, muitos produtos, não obstante estarem em total cumprimento da lei, não apresentam características nutricionais que nos permitam dizer que possam ser categorizados como saudáveis.

A título de exemplo, olhemos para o quadro abaixo, onde esmiuçamos as diferenças nutricionais entre a batata frita “normal” e as congéneres light.

Por 100 g

Batata frita “normal”Batatas frita lightDiferença
Energia532 Kcal489 Kcal– 43 Kcal
Lípidos, dos quais saturados32,4 g
5,5 g
24 g
11,9 g
-8,4 g
+6,4 g
Hidratos de carbono, dos quais açúcares51,7 g
0,6 g
60 g
0,5 g
+8,3 g
-0,1 g
Proteína4,6 g4,4 g-0,2 g
Fibra6,2 g6,1 g-0,1 g
Sal1,38 g1,18 g-0,2 g

Ou seja, do ponto de vista legal as batatas fritas light cumprem o requisito, nomeadamente a redução de 25% em relação a um dos ingredientes, neste caso específico, a gordura (lípidos).

Contudo, ao olharmos para os restantes nutrientes observamos que possuem ligeiramente mais hidratos de carbono e que, olhando para o todo, a redução por 100 g entre uma e outra opção resulta em 43 kcal. O que perante a Dose Diária Recomendada (DDR) para a ingestão energética – cerca de 2000 kcal por dia – é um valor muito pouco expressivo, para mais quando falamos de batata frita.

Se observamos a diferença por porção (25 g) – tabela no final do artigo – a diferença é ainda menos expressiva, ou seja, 11 kcal.

Com este exemplo procuro demonstrar que ao tratarmos de batata frita, à partida, como sabemos, um alimento nada interessante do ponto de vista nutricional e a consumir com pouca frequência, é completamente indiferente optar pela versão normal ou light.

Acresce que no campo alimentar o fator psicológico tem um peso considerável. Dadas as poucas diferenças entre as duas versões de batata frita e os riscos para a saúde do seu consumo desregrado, o consumidor deve perceber que o rótulo light, não pode servir como desculpa para “comer à vontade”.

Não nos devemos esquecer que saudável é um termo subjectivo. Em extremo, poderíamos dizer que todos os alimentos são bons desde que consumidos de forma equilibrada. Há, contudo, que privilegiar os frescos e mais próximos da natureza, de origem vegetal em detrimento dos alimentos processados, de origem animal, a consumir em menor quantidade.

Diferença por dose unitária (25 g)

Batata frita “normal”Batata frita lightDiferença
Energia133 Kcal122 Kcal– 11 Kcal
Lípidos, dos quais saturados8,1 g
1,4 g
6 g
3 g
-2,1 g
+1,6 g
Hidratos de carbono, dos quais açúcares12,9 g
0,2 g
15 g
0,1 g
+2,1 g
-0,1 g
Proteína1,1 g1,1 g
Fibra1,6 g1,5 g-0,1 g
Sal0,35 g0,3 g-0,05 g

Cláudia Viegas
Nutricionista e docente

Fonte: SAPO Lifestyle – Link

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